Arte do existir*
Palavra, segundo o dicionário, “é uma unidade mínima, com som e significado que pode, sozinha, constituir um enunciado”. A vida não se revela nas necessárias e frias palavras de um dicionário, mas as palavras em utilização revelam a vida.
Eu já fui de tudo um pouco, porque deixei a palavra falada solta, vestida de preguiça. Cedilhas e circunflexos que, romanticamente, pensavam ser livres. Felizes em si. Cobertos de uma ingenuidade que caberia muito bem a uma criança, mas torna um adulto pouco inteligente. Pensei só ser necessário exigir-se aplicação à palavra escrita, mas qual engano, as duas têm igual peso, não fazendo diferença a data de validade, que a palavra falada dura o tempo que durarmos, ou por sorte de bem-querência ou respeito, um pouco mais.
Palavra deve ser tratada como uma expressão artística, porque assim ela é. A palavra é a arte do existir. E se não fizermos um trabalho perceptivo, primoroso, que se cumpre, seremos sempre aquela tela que ninguém entendeu e, por não sabê-la, deu-se a ela a identidade que se quis dar ou simplesmente não se achou nada sobre ela. Deu-se de ombros por nem tomar tento daquela existência – no último caso, golpe de sorte novamente. Mas realisticamente observando, vê-se que, em massa, há uma pressa em atropelo e uma necessidade enfadonha de dar nome a tudo que se vê. E para que a nós seja atribuído o nome justo que nos cabe, há de se acolher a palavra e prepará-la para a vida como a um filho único.
O que você quer? O que você é? Não há tempo para brincadeiras quando se trata do existir. É preciso saber a semente que estamos plantando para depois não reclamarmos a laranja colhida, quando queríamos comer maçã. A palavra é a coisa mais séria que eu conheci. É grave como um Deus. (Mais séria que um homem de terno ou uma mulher de mocassim). Existem parênteses para a diversão. Existe um afrouxamento, a leveza própria de quem descobre a liberdade que traz a organização. O bom humor é namorado da palavra em harmonia com a identidade do ser.
*texto publicado na minha coluna da revista ‘Estação Aeroporto’.

As pessoas não se comunicam mais, e se o fazem, geralmente fazem errado. Assunto difícil, dá mais uns três textos na rebarba desse.
Comment by Rodrigo — November 13, 2008 @ 7:10 pm
Larissa, Larissa…”Arte de Existir”…Meu Deus, pra ser teu fã, tem que pegar senha? Eu estou na fila, viu? Alguém disse uma vez em algum lugar: “ausência também é presença, somos lembrados pelo silêncio”. Não silencies jamais porque precisamos da tua palavra. Escrita, falada, cantada, em verso, em prosa, na noite calada, ao meio dia em São Paulo. Alta, baixa, rouca, quase muda, não importa com quem, importa de onde ela vem. Eu eu bem sei de onde ela parte. Alma e arte se confundem em diuturna exclamação, sem reticências, vírgula ou interrogação mas numa constante afirmação. Abençoada Larissa Poeta, sigas sempre a tua seta porque nós somos a meta!
(Nilson Octávio)
Comment by Nilson Octávio — November 15, 2008 @ 4:37 pm
Tais certa, eu acho, pra variar.
Comment by Kidy — November 15, 2008 @ 6:39 pm
SIM!!!, moça/menina-que-escreve-como-ninguém…
E a palavra, além disso tudo, é fotografia da alma de quem a diz e desenha, como tu.
Por isso o amor, o cuidado e o respeito que tens com ela.
Por isso te ler é beber emoção pura, verdadeira, bonita e gostosa que só!
Por isso, quem podia nem gostar de poesia, de prosa poética, quem podia nem ligar prá “filosofares”, se dá conta que gosta, muitíssimo.
Por isso, Poeta, Poeta Larissa, Larissa Poeta, BRAVO!
Teu poder de percepção e expressão, menina, se traduzem em puro prazer.
Reverências, portanto!
Magda
Comment by Magda — November 17, 2008 @ 12:08 am
Esse teu texto é magnífico, e olha, não costumo utilizar esse adjetivo em vão. A palavra é o cerne da arte do viver, como bem impões nas tuas próprias palavras. Torna-se imperativo sublinhar como compreendes tão bem a arte do escrever, e sob a luz dessas “palavras” orientar, seduzir, mostrar e irradiar sabedoria. Parabéns Larissa, utilize sempre teus verbetes com a mesma magia que assim o entendes.
Comment by Margareth — November 19, 2008 @ 11:28 pm
Olá larissa.
Gostei bastante do seu blog: parabéns pelo espaço e qualidade das matérias.
A palavra, para mim, é simultaneamente o “nada” e o “tudo”. Reflete todas as coisas, inclusive enunciados não-pronunciados, porém existentes nas entrelinhas do discurso.
Parabéns pelo texto e obrigada pela visita.
Beijos, Hercília.
Comment by Hercília Fernandes — November 29, 2008 @ 11:22 pm
Li um artigo sobre a palavra esses tempos e fui procurá-lo hoje para ti..é mt interessante pq comprova cientificamente o poder da palavra:
Masaru Emoto, cientista japonês, demonstrou como o efeito de determinados sons, palavras, pensamentos, sentimentos alteram a estrutura molecular da água.
A técnica consiste em expor a água a esses agentes, congelá-la e depois fotografar os cristais que se formam com o congelamento.
Se um simples obrigado muda uma molécula de água, imaginem o que uma prece, palavras de amor, fraternidade, encorajamento, amizade, podem fazer percorrendo nosso corpo carregado de água. Se acontece fora do nosso corpo, ocorrerá dentro dele também, cada vez que agirmos com amor e retidão!
Mas convém lembrar que o inverso também ocorrerá com palavras ou sentimentos de ódio, inveja, vingança,etc. E é com isso que a gente pode adoecer, com água carregada de energia má e destrutiva. Muitas doenças começam a partir de nós! Contudo, se quisermos, tudo acabará a partir de nós também!
Assim sendo, Se água poluída faz mal à saúde, pensamentos e palavras ruins também o fazem!
*Existem fotos de alterações moleculares a cada estímulo…queria colar mas não consegui. Tenho certeza q se fotografassem alguém q lê tuas poesias a foto da molécula seria como a foto da “molécula dos bons sentimentos'’! Um beijo…obrigada pela visita na quinta e te desejo muito sucesso!
Comment by Claudia Riffel — December 6, 2008 @ 1:41 am
Por um breve instante eu soube o que é ter prazer em ler!
Comment by WEDSON — February 3, 2009 @ 5:15 pm